Pinho pede a outros países para seguirem exemplo de Portugal

11-04-2009 13:11

O ministro da Economia, Manuel Pinho, apelou hoje aos outros países que sigam o exemplo de Portugal nas energias renováveis, para que haja uma resposta global ao problema do consumo mundial de energia e das emissões de CO2.

Manuel Pinho acompanhou hoje à tarde uma visita ao Parque Eólico do Caramulo de perto de uma centena de jovens universitários de 15 países, que durante uma semana estão a visitar parques eólicos, barragens e centrais solares por todo o país, no âmbito da iniciativa New Energy World, do Ministério da Economia e da Inovação.

"Tornámo-nos um dos países mais avançados do Mundo, é algo que projecta de forma positiva a nossa imagem", considerou Manuel Pinho aos jornalistas, anunciando que as Nações Unidas vão organizar em Outubro "uma visita de jovens ainda mais ambiciosa, de 90 países", que "demonstra como o Mundo está com os olhos postos em Portugal na área das energias renováveis".

No entanto, o governante frisou que este é "um problema global que necessita de uma resposta global".

"Só Portugal ou só a Europa não têm a mínima das hipóteses de resolver esta questão, a Europa é apenas responsável por um quinto do consumo mundial de energia e das emissões de CO2. É nossa obrigação envolver pessoas de todo o Mundo e sobretudo países muito densamente povoados, como é o caso da Índia ou da China, para não mencionar os Estados Unidos e o Brasil", defendeu.

Além da visita ao parque eólico do Caramulo -- que tem 45 aerogeradores (90 MW) e é um dos maiores aproveitamentos eólicos do país, implantado nos concelhos de Vouzela, Tondela e Oliveira de Frades - os estudantes tiveram oportunidade de colocar as suas dúvidas ao ministro.

Abhishek Humbad, estudante da Índia, queria saber como podia levar a energia eólica para o seu país, o segundo mais populoso (atrás da China), com um bilião de habitantes.

"Na Índia o problema é que há muita gente", explicou à Agência Lusa, acrescentando que, apesar de a população estar a crescer e de se estimar que nas próximas décadas venha mesmo a ser o país mais populoso do Mundo, "não há infra-estruturas de energia".

Lamentou que exista "um enorme problema de energia na Índia", considerando que este pode ser reduzido com a aposta nas energias renováveis, e garantiu que vai levar o exemplo de Portugal para a Índia.

"É realmente espantoso. Portugal não é um país muito grande, mas cresceu muito nas energias renováveis. É um exemplo para todas as Nações do Mundo", sublinhou.

Também o estudante moçambicano Adriano Madamujge disse ter ficado particularmente entusiasmado com a experiência portuguesa ao nível da energia eólica.

"Nós em Moçambique usamos energias renováveis, mas neste momento estamos mais potenciados para a área solar. Esta é uma nova experiência que levamos, sobretudo para aumentar a carteira de energia em Moçambique", referiu à Lusa.

O ministro da Economia desvalorizou a polémica em torno do custo desta visita dos jovens universitários.

Quando confrontado pelos jornalistas, respondeu: "Eu não sei se foi jantar a casa do seu pai nos últimos tempos, mas se chegasse lá e lhe perguntasse quanto é que custava o bife, o seu pai havia de dizer 'para quê é que eu eduquei esta criança'. Quando se vai a um sítio convidado, a primeira pergunta que não se deve fazer é qual foi o custo".

Acrescentou ainda que "o custo desta iniciativa foi financiado por muitas empresas que estão interessadas em promover estes projectos".

 

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=1195557

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